[Erros de Produção] Confira todas as falhas no episódio “10×02 – Smile”

Velhinha morta se mexendo, corpos magicamente mudando de posição, confira os erros de produção que escaparam da revisão final e foram parar nos episódios cânones da 10ª temporada de Doctor Who, continuando a série neste artigo com as falhas do episódio “10×02 – Smile”.

Não estamos falando aqui de descontinuidade na história, nem de nós mal amarrados nos roteiros… Este artigo é um compilado dos erros de filmagem que realmente foram ao ar. Ao contrário dos chamados “bloopers” (que são erros de gravação deletados, ou seja, que ficam de fora do corte final), esses aqui escaparam da vista dos produtores, mas não da vista dos fãs do mundo inteiro.

Será que você já tinha visto algum desses? Faça o teste!

Elencamos abaixo os erros cena por cena! Alguns encontramos em fóruns de fãs, outros encontramos em páginas especializadas sobre erros de filmagem, e alguns são inéditos, descobertos unicamente pela nossa equipe! Esse artigo também é exclusivo do Universo Who para você! E se você encontrou algum que não listamos aqui, deixe seu comentário para a gente checar!

10×02 – Smile

1 – Trigo, tia?

A primeira vista que temos do planeta “Gliese 581D” é de uma agricultura, onde caminha a colonizadora Kezzia, seguida pelo “amiguinho” Emojibot. Enquanto ela conversa com a irmã Goodthing (por meio daquele estranho sistema comunicador instalado no sistema nervoso auditivo dos colonos), Kezzia afirma ter estado polinizando 3 milhas de trigo (quase 5 quilômetros) com ajuda dos Vardies – mas espere aí… trigo?

A palavra inglesa “wheat” significa trigo e não tem nenhuma outra tradução, mas aquela plantação não é de trigo… é de cevada.

Não, trigo e cevada não são a mesma coisa, apesar de serem muito similares – tão similares, que até a produção se confundiu na hora de montar o cenário… Seria mais fácil apenas alguém da produção orientar a atriz a falar “barley”, que significa cevada.

Mas será que não havia alguma plantação de trigo que estivesse fora de cena, além dos campos de cevada? Poderia ser, mas quando a tia Kezzie dá as ordens para os Vardies voltarem com ela para a cidade, a nuvem de nanorrobôs ergue-se da plantação de cevada, ou seja, era ali o trabalho de polinização.

 

2 – Continuidade de corte (Parte 1)

Os erros de continuidade de corte daqui para frente foram todos percebidos pelo Universo Who. Aqui acontece algo muito comum na produção de cinema (mas que ainda assim são falhas): são os chamados erros de continuidade nas trocas de planos de mesma cena.

Rápida explicação: Algumas produções de orçamentos mais elevados contam com mais de uma câmera filmando a mesma cena, assim o diretor tem ao menos dois planos prontos a partir da mesma atuação dos atores, evitando problemas de continuidade na hora da edição. Porém, Doctor Who é uma série de relativamente baixo orçamento, ou seja, para que haja mais de um plano (ângulo) por cena, os atores precisam interpretar o ato mais de uma vez, no mínimo uma para cada mudança de câmera (para depois os editores intercalarem na pós-produção). É isso que faz acontecer erros de continuidade, como os que vamos ver a seguir.

Nesta cena, Bill está segurando o broche de humor, analisando ambos os lados. Ela faz isso segurando-o na altura do peito, assim como o Doutor.

No entanto, no corte de plano seguinte, quando vemos o Doutor de frente, Bill está segurando o broche na altura da cabeça:

E não, a cena não dá a entender que houve qualquer microlapso de tempo para que ela pudesse erguer. Apenas trata-se da interpretação da mesma cena mais de uma vez, que causou essa dessincronização dos movimentos dos braços.

Geralmente, os editores de vídeo tentam consertar isso na pós-produção, mas nem sempre conseguem. Daí a importância de ter um bom diretor à frente da filmagem. Ele vai ter um olhar técnico treinado para evitar esses pequenos deslizes de continuidade.

 

3 – Continuidade de corte (Parte 2)

Lá na horta, o Doutor segura um crânio dos primeiros colonizadores assassinados pelos Vardies, uma das mãos em cima e outra embaixo do crânio:

No corte seguinte, as duas mãos estão nas laterais do crânio.

Esses dois planos continuam se alternando, então torna-se impossível que o Doutor tenha ficado mexendo as mãos constantemente ao redor do crânio exatamente a cada troca de enquadramento. Erro de continuidade…

 

4 – Continuidade de corte (Parte 3)

Uma das poses mais bonitinhas da Bill nesse episódio é esta, quando ela põe as mãos na cintura e diz que vai ficar para ajudar o Doutor a salvar o dia.

Nesse momento, o Doutor diz a ela para olhar a parede, que está fora do enquadramento. O plano seguinte, que mostra a tal parede, já mostra o Doutor com o braço apontando para lá e os braços de Bill não estão mais na cintura.

E de novo, não houve tempo de cena para mudarem de posição, apenas foi um dessincronização entre uma interpretação e outra.

 

5 – Continuidade de corte (Parte 4)

Essa aqui é um pouco diferente. Temos outra uma divergência de um quadro para outro, mas dessa vez Bill tem uma mudança de posição drástica. É quando eles entram na nave da cidade pela primeira vez, e o Doutor está prestes a fechar a porta.

Bill vira levemente o corpo na direção do Doutor, mas continua de costas para a porta, ou seja, a maior parte do corpo dela está voltado para o interior da sala em que acabaram de entrar. Confira:

O Doutor começa a fechar a porta, e o plano muda para o lado de fora da sala. A posição de porta entre um corte e outro mostra como não houve lapso de tempo entre um enquadramento e outro. Mesmo assim, magicamente Bill está posicionada mais de frente para a porta do que para o interior da sala (compare os ângulos pela posição dos ombros dela).

Quando a cena volta para o plano anterior, Bill está novamente na posição original. Em outras palavras, errinho de continuidade.

 

6 – Continuidade de corte (Parte 5)

Já dentro da nave, o Doutor encontra o mapa e aponta com o dedo indicador exatamente o local em que eles estão. O dedo do Doutor está no meio de três círculos, logo abaixo de um sinalizador vermelho. A cabeça dele, após olhar para Bill, está voltada para o mapa.

No corte seguinte, sem lapso de tempo, o dedo do Doutor está em outro local: abaixo do círculo maior, e a cabeça dele, magicamente voltada para Bill.

O Doutor pode ter se mexido em uma fração de segundo? Poderia… SE a cena não fosse exatamente no meio de uma fala do Doutor, ou seja, não haveria esse tempinho de tolerância em que nosso Time Lord rapidamente abaixasse o dedo e virasse a cabeça novamente para Bill. Foi novamente apenas a dessincronização de movimento entre duas interpretações da mesma cena.

 

7 – A morta se mexeu?!

Quando Bill decide ir sozinha encontrar o Doutor no coração da nave, ela acaba encontrando uma sala, onde repousa morta uma misteriosa idosa. A velhinha está imóvel, com os braços e pernas levemente afastados do corpo. Bill analisa a mulher, sem tocar nela, depois lê o livro que está ao pé da cama e então vai embora ao encontro do Doutor.

Um bom tempo depois, quando Bill decide contar ao Doutor sobre a mulher morta, ela o leva até a sala, mas a morta não está mais na mesma posição. Sinistro…

Os pés aparentemente estão iguais, mas os braços estão agora juntos ao corpo… Será que ela precisou se espreguiçar ou será que foram os gasosos alienígenas Gelth, lá da primeira temporada (“The Unquiet Dead”), que andam mexendo em cadáveres de velhinhas de novo?

Nada disso, foi apenas outro erro de continuidade.

 

De quem é a culpa?

De ninguém! Quando se trata de produzir uma série tão importante, que exige tantos detalhes, em um tempo extremamente apertado e orçamento baixo, é normal que haja pequenos erros de continuidade ou filmagem. Os erros elencados são mínimos e, sejamos francos, não estragam em nada a experiência da audiência. Nós nem havíamos percebido boa parte dessa lista (ou nadinha dela) até agora.

Lawrence Gough

Ainda assim, vale informar que o episódio “Smile” foi escrito pelo roteirista Frank Cottrell-Boyce, dirigido pelo estreante na série Lawrence Gough (que também dirigiu o episódio anterior, “The Pilot“) e produzido pelo veterano em Doctor Who Peter Bennett.

Peter Bennett

 

 

O que achou da nossa lista? Já tinha visto algum desses erros? Conhece algum outro que não mencionamos? Fale para nós nos comentários! Vamos checar e, quem sabe, adicionaremos a esta lista.

Texto: Djonatha Geremias (Universo Who)

Não sou Colônia Sarff, mas vivo caçando notícias sobre Doctor Who, com ajuda do Circuito de Tradução da TARDIS. Jornalista cultural, escritor catarinense, roteirista de série e whovian de alma. Para ler todas minhas postagens, clique aqui.

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Este post tem 2 comentários

  1. Nossa, de todos esses – inclusive o do primeiro episódio – o único que percebi enquanto assistia foi o da velhinha morta kkk.
    Muito legal esse tipo de post, galera.

    1. Realmente, tem coisas que passam batido, mas que não diminuem a qualidade da experiência de assistir a Doctor Who. Esses posts sãos mais por curiosidade sobre a produção mesmo. Valeu, Lucas, obrigado pelo carinho! Continue visitando e comentando! Forte abraço. Allons-y! 😀

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