REVIEW: Doctor Who 10×12 – The Doctor Falls

O Começo do Fim

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Precisamos falar, e talvez até exaltar, o último final de temporada escrito por Moffat. Talvez o melhor até e, agora após concluida a temporada, podemos afirmar que a 10º temporada foi a mais bem escrita e estruturada. Tivemos erros? Tivemos. Tivemos episódios fracos? Knock Knock/The Eaters Of Light Tivemos. Porém, os pontos positivos foram os que mais chamaram atenção nessa temporada, e eles foram ressaltados quase que de forma completa nessa temporada.

Seguindo os moldes do episódio anterior, ‘The Doctor Falls’ começa com uma intrigante cena de uma fazenda com humanos utilizando pré-Mondasian Cybermen como espantalho, a mesma fazenda se localiza no interior da nave que orbita o buraco negro, onde uma nave surge do chão e dos escombros surge a CyberBill trazendo um Doutor desfalecido, após o acontecimento somos jogados para momentos após os acontecimentos do episódio passado com o Doutor sendo mantido refém por Master e Missy. Uma das melhores coisas que esse fim de temporada foi poder curtir uma história multi-Master e a interação dos dois não poderia ter sido melhor. A Missy como em toda a Era Moffat se apresentou como uma personagem ambígua e durante todo o episódio não conseguiamos saber de qual lado ela verdadeiramente estava. E quanto ao mestre do John Simm? Ele está muito menos louco, porém mais cruel, mais sádico. Missy e Mestre protagonizam cenas fundamentais durante todo o episódio, e o Mestre serviu muito mais como um apoio para a condução da história final da Missy. Sim meus amigos, o episódio também marcou a despedida de Michele Gomez. Missy foi se redimindo pouco a pouco, essa era a característica da personagem, que desde sua aparição tentou ao máximo se aproximar do Doutor e mostrar pra ele que eles não eram tão diferentes assim. Todo esse arco dá um outro sentido ao finale da 8ª temporada, na verdade faz ele finalmente ter sentido, porque os objetivosw da Missy ficaram muito mais claros com o passar do tempo. E porque não a convivência com a sua própria versão posterior, não pode ter influenciado na personalidade do Mestre após se regenerar, isto é, a própria Missy ser a responsável pela mudança de personalidade do Mestre ao se regenerar nela. O mais triste de toda essa história é saber que o Doutor nunca saberá que a Missy queria estar do lado dela na batalha final contra os Cybermen. No fim, Mestre e Missy acabam sucumbindo entre si e num momento de dupla traição (ou seria auto-sabotagem?), os dois finalmente tem suas cenas finais.

Outro ponto positivo do episódio foi a forma que arranjaram para poder admirarmos a Pearl Mackie pela última vez, mesmo já sendo um recurso já utilizado em Asylum Of The Daleks. A consciência de Bill ainda lutava contra a transformação completa como Cyberman, e com isso fomos presentados com a Bill interagindo em sua forma natural com o Doutor. Bill foi a companion mais bem escrita da Era Moffat, simples e objetiva e com uma história nada megalomaniaca, cumpriu o seu papel de aprendiz do Doutor e meso com um aparente fim trágico, conseguiu encontrar o seu final feliz como é de praxe nessa era. A relação de Bill com o Doutor atingiu o seu máximo nesse episódio, e ele sentiu demais a aparente perda da companheira para os Cybermen e foi isso que o motivou até o fim. Bill sem dúvidas só evoluiu e cresceu como personagem, da curiosa vendedora de batatas fritas à uma mulher batalhadora, que já teve que lidar com o futuro da humanidade em suas mãos, que venceu a morte e virou também uma exploradora do universo.

O retorno de Heather foi surpreendente, pois descartamos o seu retorno ao vermos Bill se tornando um Cyberman, mas os indícios estavam ali o tempo todo, ressaltando que esse retorno já era planejado. A lágrima da CyberBill então no final do episódio anterior, era na verdade sua ligação com a Heather que chegou num dos momentos mais emocionantes do episódio, com a Bill lamentando a “queda” do Doutor e é então que ela retorna a sua forma humana, ou algo bem similar a Heather. São elas que salvam o Doutor daquela nave e o colocam dentro da TARDIS.

Infelizmente, além de não saber que a Missy queria ao seu lado na batalha final, o Doutor não saberá que Bill no fim conseguiu se livrar de seu destino como Cyberman e tal como ele prometeu, ela retornou a sua forma original. Ainda tenho lá minhas dúvidas se foi ou não uma atitude correta de Bill deixar o corpo do Doutor na TARDIS, pois ela não sabia que ele iria regenerar, e foi enfim viver sua grande aventura ao lado de sua amada Heather.

Por fim, o Doutor se recusou a se regenerar, se cansou, não quer mais mudar… 13 regenerações, 13 mortes, 13 rostos diferentes… Quer permanecer desse jeito. Afinal de contas, a regeneração não é um processo fácil. E no meio desse dilema todo, a TARDIS leva o Doutor para o Pólo Sul, lugar onde seu primeiro rosto, o Doutor original estava. Existe um vácuo entre a cena em que o Doutor é ferido mortalmente e Ben e Polly lhe encontrarem na TARDIS prestes a se regenerar. Ninguém sabe como ele chegou até lá, então esse vácuo pode ser preenchido. Arrisco dizer que ambos irão se ajudar a passar pelo processo de regeneração, pois ambos não estão preparados para passar nem pela primeira vez, nem mais uma vez… Mas nos resta esperar o especial de natal para ver como esse tão aguardado encontro irá se desenrolar.
Agradeço a todos vocês que acompanharam nossas reviews durante a décima temporada. Nos vemos em breve nas reviews da Clássica!

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Este post tem 13 comentários

  1. Ótimo review! A Bill foi realmente a personagem mais bem construída e infinitamente empática. Gente como a gente! O Nardole provavelmente ñ volta, né? Foi o ponto de apoio do Doctor até o fim. Gosto muito de episódios em q o Doctor não tem tanto protagonismo assim e fiquei encantada com o modo como CyberBill roubou a cena. Tava muito na cara q Missy acabaria ficando do lado do Doctor, isso tirou um pouco da graça de sua história com o Mestre. Mas por terem terminado suas trajetórias no baixo nível q lhes é característico, ta valendo haha.
    Influiu muito na qualidade da temporada, e pra melhor, a Bill ser lésbica e o Doctor ser mais velho. Havia sido criado um pastelão romântico entre o 10 e Rose e certo flerte entre o 11 e Pond q gente, pelamor, ñ é condizente, o cara com 1000 anos, msm com carinha de 30, ter esse tipo de afeição por menina de 20. Então o Capaldão estabeleceu uma relação saudável e terna com Bill, por mim podiam ficar mais umas 3 temporadas facilmente!

  2. cara, o ator que colocaram é a reencarnação do primeiro doutor, só pode …parece pra krl

  3. Oi, procurei o podcast de vocês em aplicativos de celular como “Podslim” e não achei vocês lá.

    1. Ué… Tente outro app e diga se conseguiu.

  4. Eu chorei quando a CyberBill se olhou no espelho, chorei quando a Missy morreu, chorei quando o Doutor caiu, chorei quando a BIll chorou quando encontrou o corpo do Doutor e chorei ainda mais quando a Heather apareceu me desidratei

    1. Fiquei com pena da participação da Pearl Mackie ter se encerrado junto com a participação do Capaldi na série..

  5. Os reviews da clássica vão voltar? 🙁

    1. Estamos analisando se vamos voltar com elas.

  6. eu nao entendi muito bem a missy vai regenerar ou nao ?

    1. Ninguém sabe ainda… Moffat não deixou claro, dando a entender que seria a derradeira morte do Mestre. Mas… sabe como é nosso arqui-inimigo, sempre consegue ressuscitar…

  7. Não acho que o Moffat seria pretensioso ao ponto de matar definitivamente um personagem icônico e fundamental para a série como o Master/Missy (coisa que futuros showrunners poderão até reverter), mas foi audacioso ao ponto de ter usado o mesmo recurso da River Song na biblioteca. Como assim? Ninguém garante que o Master da era do Décimo vai realmente regenerar na Missy, ele não é capaz de reter a memórias totalmente por causa do paradoxo, portanto cabe uma infinidade de regenerações anteriores que podem por alguma razão não estar na memória da Missy, assim como Doctor 8,5 foi convocado para resolver o problema do Eccleston em não voltar pra série. Entretanto cabe a pretensão de que o Moffat criou o “fim” do Master, uma redenção que não se completou em um final trágico.

    Devo dizer que realmente gostaria que a Bill tivesse tido mais tempo com o Capaldi, Clara ganhou 2 temporadas e meia e boa parte foi simplesmente horrível com as tentativas do Moffat de fazer a “Impossible Girl” uma companion memorável com um começo e desenvolvimento falhos. Bill por outro lado foi totalmente humilde e curiosa, um ar fresco de simplicidade que lembra muito a época da Donna, apenas uma pessoa comum maravilhada com as aventuras que as viagens traziam, porém sem o exagero de tomar o lugar do Doctor a todo momento, uma verdadeira aprendiz.

    1. Oi, Edu. Muito legal seu comentário. Sobre a morte do Mestre, fique tranquilo, porque ele já “morreu definitivamente” várias vezes na série clássica e até na moderna. Ele sempre dá um jeito de voltar, seja roubando corpos ou fazendo feitiçaria, etc. Quando vimos o Mestre do Delgado pela primeira vez na clássica, ele já estava em sua última regeneração, e não conhecemos as primeiras. Para um roteirista-chefe de Doctor Who, deve ser uma oportunidade deliciosa poder “matar definitivamente” o Mestre, mesmo sabendo que ele pode voltar a qualquer instante. A Missy pode muito bem se levantar e dizer “Ah, eu sabia que você ia fazer isso, porque lembro disso acontecer no meu passado, então me precavi com esse dispositivo à prova de blasters”, e então se levantar, tirar a terra do vestido e seguir em frente sua jornada.

      E já que você mencionou Bill e Clara (e concordo com sua opinião), vale lembrar que a Bill vem antes da Clara na linha do tempo do Mestre. O Mestre do John Simm foi o responsável por “matar” Bill Potts, e logo depois ele é influenciado pela Missy e pelo o Doutor a tentar voltar a “ser bom”, até isso causar a própria regeneração. Assim que ele se torna a Missy, ela trata logo de arranjar uma “companion ideal” de presente para o Doutor (junto a um exército de cybermen, justo aquele inimigo que ele havia acabado de se recusar a combater ao lado do Doutor), em uma tentativa de “ter seu amigo de volta” (lógico que ele faz isso ainda de um jeito meio deturpado, querendo que Doutor e Clara se tornassem o lendário Híbrido que traria o caos ao universo). Na grande trama, a função da Bill pode ter sido essa, de ser “a culpa” que Mestre/Missy carrega e que o/a incentiva a tentar compensar futuramente, ao escolher a Clara. O timey-wimey acontece porque ele dá esse presente de grego no passado do Doutor, ainda na antiga regeneração do Matt Smith.

      O wibbly-wobbly é violento com Steven Moffat.

      Obrigado pelo seu comentário, Edu! Continue visitando o site e interagindo!

    2. Não creio que a Missy realmente morreu. O ar que ficou foi esse mesmo, mas o Mestre também “morreu” na terceira temporada. Porém, como essa era a última do Moffatt acredito que ele quis dar um fim a própria personagem. Caso os novos roteiristas queiram trazer o Mestre de volta trariam facilmente, a “morte” de Missy não significa nada, apenas que ela provavelmente voltará num próximo corpo.

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